Imprensa

Vida e Obra de Leno - Por ele mesmo

Entrevista concedida à Fernando Rosa, da Revista Digital Senhor F

Em entrevista exclusiva a Senhor F, Leno fala da Jovem Guarda, da batida ‘merseybeat’, de Raulzito e outros papos interessantes. "A Jovem Guarda era a cara da juventude brasileira dos anos 60, usando guitarras elétricas para horror dos jazzistas acústicos da ‘MPB’. Aquela precariedade tecnológica e maneira de tocar era diferente do que se fazia lá fora, e acabou criando uma personalidade própria". "Os primeiros discos dos Beatles e do Merseybeat me deixaram chapado. Aquela levada do pedal de bateria da turma de Liverpool evocava uma nordestinidade que remetia à minha infância. Talvez seja a razão subconsciente de até hoje no Norte e Nordeste a Jovem Guarda ser uma constante referência". "O Raulzito se sentia um ‘cidadão do Universo’ e já achava tão limitante a própria condição humana no Planeta, quanto mais pensar em reduzir sua vida simplesmente à "uma luta para ser americano", como diz a letra (de Rock’n’Raul, de Caetano Veloso), entre outras mentiras". Essas e outras expressões de extrema sinceridade, honestidade e lucidez estão na entrevista feita por email com o cara responsável por algumas das melhores canções do pop nacional.

Senhor F - Qual a sua impressão, hoje, do que significou Leno & Lílian, pra você e também para a história do rock, da Jovem Guarda, ou da música jovem brasileira? Você acha que a história faz justiça com a importância da dupla? E, de forma especial, com o Leno compositor - para nós um dos mais importantes do rock nacional?

Leno - A dupla e a Jovem Guarda foram para mim uma experiência única, um rito de passagem aonde aprendi muito. Achava graça naquela imagem de casal romântico inventado pela imprensa da época, até que começou a virar um estigma e perdeu a graça. Estigmas são limitantes... Nada contra casais românticos, mas era uma falsa imagem e sempre falamos isso honestamente. Eu queria fazer música e tinha uma namorada... Pelo lado musical, acho que deixamos bons registros, ou nosso repertório não estaria sendo regravado décadas depois, como é o caso de ‘Devolva-me’, uma das minhas favoritas, que ganhou troféu de melhor música de ... 2000!

Algo mudou com a entrada em cena dos que estão descobrindo a Jovem Guarda e sacando o lúdico, o bom humor e irreverência daquilo tudo... Mas ainda existem bolsões de preconceito. Outro dia assisti na TV uma repórter chic perguntar ao Ricardo Puggialli, autor do livro ‘No Embalo da Jovem Guarda’, "se nenhum dos artistas ao ser entrevistado por ele, se confessou constrangido em usar aquelas roupas e cabelos". Uma pergunta tão ‘inteligente’ quanto perguntar se os Beatles - da mesma época - se constrangiam com terninhos sem gola e botinhas de salto carrapeta.

O que faz falta são bons registros em movimento, em vídeo-tape ou filmes dos programas de auditório e dos shows, para que as pessoas hoje pudessem compreender melhor o que aconteceu e como a estética e a atitude fizeram parte daquelas transformações. Mas quase tudo se perdeu em estranhos incêndios nas TV Record e TV Rio, durante o regime militar.

Em relação ao compositor e seu reconhecimento, não quero entrar naquela de ‘injustiçado’, mas a preservação da memória não é o forte da sociedade de consumo tupiniquim. Considero que a melhor parte do meu trabalho é aquela menos conhecida comercialmente. E admito que também contribuí para isso com minha falta de paciência para autopromoção.

Senhor F - Como era a definição de repertório nos anos sessenta? Vocês já compunham, mas também gravavam covers/versões - a maioria de singles praticamente obscuros. Como era feita essa escolha? O que você, particulamente, ouvia de som na época? Aproveitando, quais as tuas influências?

Leno - O repertório era definido em comum acordo, apesar de gostos musicais diferentes. Mas no fim dava certo. A participação do Renato Barros era positiva, dava o voto de minerva nos impasses da dupla, e era divertido trabalhar com ele. Foram vários hits em menos de dois anos. O ‘seo’ Evandro, diretor da CBS e produtor da dupla - assim como do Roberto, Renato, Jerry e Wanderléa - nos mostrava novos discos importados, para completar nosso repertório de composições originais. Cada um de nós tinha suas preferências e fazíamos uma votação. Foi assim que surgiram ‘Pobre Menina’, ‘O Balão Vermelho’ - de um novo compositor chamado Paul Simon – ‘O Sol se Põe no Horizonte’, raridade de Lennon e McCartney, ‘Não Acredito’, ‘Coisinha Estúpida’ e outras recém-lançadas que ainda nem eram sucesso lá fora. Mas a maioria de nosso repertório era de novos compositores nacionais. Canções como ‘Pobre Menina’ e ‘A Pobreza’, eram uma mensagem de protesto em minha cabeça adolescente.

No início da Jovem Guarda, eu só tinha 16 anos, mas era veterano em rock’ n’ roll. Desde pequeno ouvia muito Elvis Presley - da Sun Records -, fundamental, Little Richard, Gene Vincent e tudo mais. Assim como Celly Campello e a turma do rock orquestral da pré-Jovem Guarda. O som dos 60’s teve uma diferença fundamental com a entrada do baixo elétrico, que deu mais peso às gravações. Os primeiros discos dos Beatles e do Mersey Beat me deixaram chapado. Aquela levada do pedal de bateria da turma de Liverpool evocava uma nordestinidade que remetia à minha infância. Talvez seja a razão subconsciente de até hoje no Norte e Nordeste a Jovem Guarda ser uma constante referencia. Também ouvia muito Luíz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Tom Jobim e João Gilberto. Sempre achei uma bobagem aquele apartheid da MPB com a Jovem Guarda. Já Monteiro Lobato, Luís da Câmara Cascudo, Mark Twain, Bertrand Russel e Schopenhauer, foram as leituras que mais me influenciaram.

Senhor F - No final dos anos sessenta, com o fim da Jovem Guarda, você passou a trilhar outro caminho, digamos, mais roqueiro, com a gravação de ‘Vida e Obra de Johnny McCartney’. Inclusive, aproximando-se de Raulzito Seixas e do grupo A Bolha. Como se deu essa mudança? Como surgiu a idéia de gravar um álbum ‘conceitual’? Porque o nome ‘Vida e Obra de Johnny McCartney’? Como foi a participação do pessoal de Los Shakers (o grupo uruguaio) no disco?

Leno - Eu já conhecia o Raul desde 1968, quando ele veio ao Rio com os Panteras pela primeira vez e nos encontramos num show beneficente feito pela gravadora, na Urca. Ele veio falar comigo, me dizendo que chegara de Salvador na véspera e que estava ali para acompanhar o Jerry. Era um cara divertido e inteligente, e me lembro de ficarmos conversando sobre rock do lado do palco, esperando para entrar em cena. Aí uns carinhas da turma da Urca ficaram sacaneando o Jerry e quebrou o maior pau na quermesse da Igreja. Foi o início de uma grande amizade! Na época eu estava no primeiro lugar nas paradas com ‘A Pobreza’, e ele demonstrava sacar tudo de Jovem Guarda, o que nos aproximou imediatamente, além da nossa paixão pelo rock’n’roll. O cara conhecia tantos discos quanto eu... ! Depois, voltou para a Bahia com os Panteras, e no final de 1969 me telefonou pra dizer que tinha vindo morar no Rio com sua mulher, Edith. O Raulzito tinha feito a cabeça do ‘seo’ Evandro quando se encontraram em Salvador e foi convidado a ser produtor da CBS! Gravei então uma música dele chamada Sha-La-La (Quanto eu Te Adoro) como faixa na série ‘As 14 mais’, que reunia os principais nomes do cast da gravadora, e era recorde de vendagem no Brasil. Aproveitei para compormos juntos, pois eu ia fazer um novo LP em breve.

Era o ‘Vida e Obra de Johnny McCartney’, um disco iconoclasta em plena virada da década de sessenta, com aquele panorama político cada vez se fechando mais. Com exceção de várias faixas individuais, eu estava insatisfeito com o resultado de alguns dos discos anteriores, apesar do sucesso comercial - incluindo os da dupla. Oficialmente, o produtor ia ser o Renato Barros, que ficava lá no estúdio repetindo: "Vocês estão loucos .. isso não é comercial...’’, e depois ficava lá preenchendo o cartão da loteria esportiva... Então, na prática fui eu quem produzi o disco. E o Raul, que estava lá mais como parceiro de algumas músicas, foi se envolvendo e ajudando na idéia de arranjos, como o de ‘Lady Baby’, com toda aquela orquestração. E também fazendo coro em várias faixas... Na época, os melhores estúdios só tinham 4 canais de gravação e eu estava empolgado porque ia gravar o primeiro disco em 8 canais no Brasil e queria fazer algo diferente e mais pesado do que os discos anteriores.

Foram meses de obras no novo estúdio da Rua Visconde do Rio Branco, e aí acabou rolando o trocadilho com o título, em cima da faixa ‘Johnny McCartney’. Aquele material de construção que aparece na capa e contracapa, com pás e escadas, eram vestígios das obras de reforma do estúdio. E o compositor Getúlio Cortês, que aparece na foto, ia passando por ali na hora, e foi convidado à ‘gentilmente’ segurar aquela moldura vazia, num contexto de humor nonsense. Essa era a proposta: idéias espontâneas e execução no ato. Nada fabricado em departamentos de marketing, ou não teria havido Jovem Guarda, Bossa Nova etc...

Quanto à Los Shakers, conheci o pessoal em 1967, quando eles estiveram no Brasil lançando seu segundo disco e nos encontrávamos nos bastidores dos programas de TV do Rio e São Paulo, onde divulgavam o lançamento de ‘Never Never’. Eu já era fã deles desde ‘Break it All’, de 65. Em 1970, o Pelin e o Caio vieram morar no Rio, após a separação da banda, e eu os convidei para tocar em algumas faixas desse disco. Los Shakers ainda é uma das minhas bandas favoritas, e são responsáveis pelo que de melhor se fez no rock mundial da época, como compositores, músicos, vocalistas e arranjadores. Até hoje ouço, e cada vez gosto mais! Uruguaios, só ficavam putos se os confundissem com argentinos...!!

Senhor F - O disco ‘Vida e Obra ...", na época foi censurado. Como foi essa história, o que rolou objetivamente? O compacto duplo lançado teve alguma repercussão na época, ou não? Como você se sentiu com a descoberta do disco, anos depois, e com o seu lançamento no formato CD?

Leno - Bem, o disco já estava praticamente pronto quando a gravadora foi comunicada que várias letras - que tinham sido obrigatoriamente enviadas para o Departamento de Censura Federal - haviam sido vetadas. Eram: ‘Sentado no Arco-Íris’ ("essa é a primeira letra que tenho orgulho de ter escrito", dizia Raul pra mim e Renato Barros, enquanto gravávamos os backing-vocals), ‘Sr. Imposto de Renda’, ‘Pobre do Rei’, ‘Não Há Lei em Grilo City’ e ‘Porquê Não?’. Curiosamente, deixaram passar ‘Peguei uma Apollo’, do grupo A Bolha, sem desconfiar que a ‘Apollo’ era LSD, e não a cápsula espacial. Então, só deu para fazer um compacto duplo, lançado relutantemente pela gravadora, quase sem divulgação. Com exceção do Henfil, no Jornal dos Sports (!?), ninguém mais na imprensa da época registrou aquela ‘censurada’ que levei.

Só fiquei com uma cópia em 7/1’2 polegadas que o técnico Eugênio Carvalho gravou para mim, antes dos masters se extraviarem durante a mudança dos arquivos da gravadora. Só reapareceram em 1994. Foi uma sensação incrível poder ouvir os masters novamente num estúdio, tanto tempo depois, e remixar tudo com calma, ouvir as vozes do pessoal conversando, os out-takes ...! Gostei muito do resultado em formato CD, com uma qualidade técnica inimaginável para a época das gravações. Poder gravar em 8 canais foi uma festa para nós, acostumados a somente a 3 canais...

Aquela experiência de gravação fez o Raulzito se empolgar e partir para seu trabalho solo. Me lembro que tempos depois mostrei à ele um novo jornal alternativo que eu descobrira, com um assunto que nos interessava, que era vida extraterrestre! No dia seguinte, nos encontramos na CBS, e ele me contou ter ido na redação do jornal, ali perto, na Praça Tiradentes, e que havia conhecido o responsável pelo artigo. Combinou de nos reunirmos os três naquela noite em seu apartamento, e foi assim que apareceu o Paulo Coelho, cujos papos esotéricos – e não os astronômicos - que eu esperava – tiveram surpreendentemente mais efeito num agnóstico Raul, do que em mim...

Senhor F - Em 1972, você gravou um disco raro, o Matéria Prima, com clássicos do rock and roll. Como você vê esse disco hoje, já lançado em CD? E que outros discos de tua obra a partir dos anos setenta você destacaria? Além dos já lançados em CD, existe alguma outra obra inédita?

Leno – ‘Matéria Prima’ foi o nome que coloquei na minha banda de shows, no início dos anos 70. O Raul chegou a fazer parte por quase um ano, até sair da CBS para a Philips e gravar ‘Ouro de Tolo’. Como Leno e Matéria Prima participamos juntos do Festival Internacional da Canção da TV Globo, em 1971, no Maracanãzinho, com a mesma ‘Sentado no Arco-Íris’, que fora censurada (!) no LP ‘Vida e Obra de Johnny McCartney’. Os censores deviam estar distraídos.... (somente no ano seguinte Raulzito voltaria lá com ‘Let Me Sing, Let Me Sing’).

Quando em 1973 produzi um LP só com clássicos do rock, e participações de músicos de outras gravadoras - cujos nomes não podiam aparecer por razões contratuais - decidi então reativar o nome Matéria Prima. Ouvindo hoje, acho que a gravação ficou bem legal. Gosto do ‘Marcianita’, num clima à la Bowie, do balanço de ‘Erva Venenosa’, ‘Diana’ e outras. Dos meus discos dessa época e logo após, eu destacaria o compacto ‘Flores Mortas’, que toca na questão ecológica pela primeira vez na música brasileira, que eu saiba. Chegou ao primeiro lugar nas rádios do Rio e São Paulo - sem jabá - que ainda não existia em 1974... E o LP ‘Meu nome é Gileno’, na linha do censurado ‘Vida e Obra...’, quando regravei ‘Grilo City’, que já falava sobre a violência policial no Rio de Janeiro. Gravações inéditas, elas existem, porém certamente incompletas.

Senhor F - Como você viu a evolução do rock brasileiro, desde os anos sessenta? O que você acha da tese de que a Jovem Guarda foi o movimento musical com mais identidade própria dos anos sessenta, fora do circuito Inglaterra/EUA – concorda com isso? Você acha que as novas gerações percebem isso, e fazem justiça, atualizando, recriando o som criado por vocês nos anos sessenta?

Leno - No começo faltavam equipamentos, como bons amps, e mesmo guitarras de qualidade eram um luxo. Mas isso era compensado pela criatividade dos músicos. Nos anos 70 e 80, surgiram boas bandas e muitos discos antológicos. Concordo sobre a tese da identidade. A Jovem Guarda era a cara da juventude brasileira dos anos 60, usando guitarras elétricas para horror dos jazzistas acústicos da ‘MPB’. Aquela precariedade tecnológica e maneira de tocar era diferente do que se fazia lá fora, e acabou criando uma personalidade própria. Como já disse sabiamente a poeta Adelia Prado, nossos limites formam nosso estilo. Acho que isso é percebido pela garotada e pôr novas bandas como Penélope e o próprio Kid Abelha entre outros. Mas parte da geração de pit-burros e gangues de lutas marciais jamais vai perceber isso, ou qualquer outra coisa. Ainda mais quando os canais através dos quais se poderia elevar o nível cultural preferem explorar a ignorância das pessoas. O caos gera lucro para muitos. O emburrecimento está aí mesmo, e conta com os palpites dos ‘formadores de opinião’. Quando Caetano vem com essa ambigüidade dialética de denegrir um Raul Seixas, e valorizar ‘um tapinha não dói’, só mandando-o respeitosamente pastar ao lado do ‘bezerro gritando mamãe’...

Senhor F – Falando nisso, o que você achou da música Rock’n’Raul?

Leno - Sou a favor da liberdade de expressão, mas bater num colega que não está mais vivo, e não pode responder é no mínimo uma escrotidão. É uma pseudo-homenagem em que o homenageante tem que ficar explicando que aquilo não é uma ofensa à memória do homenageado. O Raulzito se sentia um ‘cidadão do Universo’ e já achava tão limitante a própria condição humana no planeta, quanto mais pensar em reduzir sua vida simplesmente à "uma luta para ser americano", como diz a letra, entre outras mentiras. Uma intenção neo-maquiavélica, porém cômica, quando ele faz aquele ‘biquinho’ gorgolejando "Rauuuuul"... Mais engraçado que o Jô Soares tocando trompete piccollo. Já eram rivais desde quando ainda moravam em Salvador... Caetano declarou em recente entrevista ser de uma outra linhagem do Raul, estirpe, ou coisa parecida. Só se for da ‘linhagem’ dos bobos da corte política. Não sabe nada de rock e prova isso quando chama o Elvis Presley dos anos 50 de lixo. Não vi até agora nenhum dos artistas que gravaram tributos ao Raulzito se manifestarem. Pois deixo aqui o meu registro!

Senhor F - Você tem acompanhado a cena atual, as novas bandas ou intérpretes? Alguém chamou a atenção nestes últimos tempos? No Brasil e no exterior? Você conhece, ou já ouviu, o pessoal do Sul, de Porto Alegre, que faz uma espécie de nova Jovem Guarda?

Leno - Costumo acompanhar tudo, mas a gente cai de volta ao problema do jabá (quer dizer, propina!) que tira o espaço de muita, muita gente por aí. E que nem eu mesmo, que estou antenado, consigo conhecer aqui do Rio. Mas recentemente ouvi e gostei do Frank Jorge, de Porto Alegre, que conheci na Internet via Rádio Senhor F, além do Mutuca e Marcelo Birck, também de Porto Alegre, onde o filme ‘Ritmo Rebelde’, sobre a Jovem Guarda, está sendo preparado pelo Emerson Links.

Senhor F - Como está sendo a receptividade ao novo disco, gravado ao vivo? Como foi retomar o contato direto com o público? O que vem pela frente; pensa em gravar um novo disco de estúdio? Alguma previsão em relação a isso?

Leno - A receptividade de quem ouviu foi muito boa. A participação do público foi importante mesmo sendo gravada em estúdio. Foram feitas na maior parte em Natal, com muitas pessoas presentes e amigos que eu não via há tempos. Como selo independente que se preze, temos os famigerados problemas de distribuição e execução. Nem mandei para as rádios, pois tem gravadora pagando para tocar e ainda assim nem sempre eles tocam!

A indústria fonográfica reflete essa imensa engrenagem de corrupção em que vive o país. Então a gente dribla o monstro vendendo CDs em shows, pela Internet e lojas especializadas. O próximo deverá ser um disco autoral, com inéditas que venho acumulando, sem preocupações com ‘tendências da moda’.

Às vezes me lembro das palavras da minha professora de matemática no ginásio, que ao ser mandada embora da escola, mesmo sendo uma profissional competente, nos falou na hora da despedida: "eles podem me tirar o emprego, mas não podem tirar o meu conhecimento". Valeu, amada mestre!